
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou, nesta segunda-feira (8), a suspensão e retirada da pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontou queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) ao governo do Rio de Janeiro.
A decisão atende a um pedido do Partido Liberal (PL), que alegou ao tribunal que o questionário teria sido estruturado para induzir respostas negativas sobre o senador. Com isso, o instituto fica proibido de manter os dados em seus canais oficiais.
A divulgação da pesquisa ocorreu após o vazamento de um áudio de uma conversa do senador pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Para Nunes Marques, há indícios de que o material comprometeu a metodologia do levantamento.
A acusação do PL
O partido argumentou que, das 49 perguntas do questionário, 8 envolviam diretamente o Banco Master e foram apresentadas em sequência. Segundo a legenda, isso influenciou — em vez de apenas medir — a percepção dos entrevistados.
O PL descreveu uma progressão deliberada no questionário: partindo do medo eleitoral, passando por comparações com Lula, fraude financeira, o Banco Master, Daniel Vorcaro, conversas vazadas e possível envolvimento direto, até chegar ao impacto sobre o voto e à retirada da candidatura.
Além disso, o partido afirmou que o áudio não poderia ser usado na pesquisa por não ter prova de autenticidade.
“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo”, argumentou o PL.
A decisão do ministro
Na decisão, Nunes Marques destacou que a controvérsia “não se limita à mera discordância quanto às escolhas metodológicas”, mas envolve alegação de possível uso do questionário como mecanismo de indução.
O ministro ainda ressaltou que outras 27 pesquisas anteriores feitas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes nem veicularam áudio.
Próximos passos
A decisão individual de Nunes Marques deve ser levada a referendo do plenário do TSE na sessão desta terça-feira (10). O instituto terá que enviar documentação técnica ao tribunal para comprovar a regularidade da metodologia e esclarecer o uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar no processo.
A pesquisa ouviu 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Resumo da Notícia
- Kassio Nunes Marques suspendeu divulgação de pesquisa da AtlasIntel.
- O levantamento apontava queda de cinco pontos de Flávio Bolsonaro.
- O PL alegou indução de respostas no questionário aplicado.
- O TSE determinou envio de documentação técnica complementar.
- O caso será analisado pelo plenário do tribunal nesta terça-feira (10).












